Em uma vila distante, sem acesso à cidade próxima, vivia um fazendeiro pobre. Ele não tinha ninguém. Nenhuma família para ajudá-lo com a fazenda. Estava completamente sozinho.

Certo dia de calor intenso, ele teve de ir à cidade para comprar sementes. No meio do caminho na estrada, o fazendeiro viu uma bela árvore de longos galhos e folhas abundantes. Sob essa árvore, na base do tronco, estrava muito fresco, a sombra desafiava o sol escaldante. Ele decidiu descansar ali por alguns instantes.

Quase cochilando, no frescor da sombra, ele pensou que seria maravilhoso se tivesse um copo de água gelada. Não havia percebido que estava sentado aos pés de uma Árvore dos Desejos. Num piscar de olhos, viu um copo de água gelada e refrescante à sua frente. Matou a sede e pensou que poderia ter alguns doces e comida. Imediatamente, um banquete surgiu à sua frente.

Após acabar de comer, ele desejou uma cama para tirar uma soneca. Antes de completar o desejo, o homem já estava deitado na mais confortável das camas que poderia desejar. Em seguida, desejou uma casa para que, dentro dela, pudesse dormir em sua confortável cama. A casa instantaneamente apareceu.

O atendimento de um desejo levava a outro ainda maior. Em instantes, ele tinha a mais bela mulher como esposa, um monte de crianças para ajudá-lo com a fazenda e se viu rodeado de família e fortuna.

Quando observou tudo que conseguira apenas desejando, ficou um pouco preocupado. Na verdade, ficou com muito medo e pensou: “E se da floresta aparecer um tigre feroz e me comer?” Um tigre feroz apareceu e o engoliu. Ele ainda estava sentado sob a Árvore dos Desejos.

Essa história do Tulshi Sen, retirada do livro Ancient Secrets of Success for Today´s World, nos mostra como a autossabotagem da mente pode atrapalhar a nossa vida. Além disso, a grande lição do texto está em seu parágrafo final. O fazendeiro conquistou tudo rapidamente e perdeu tudo ainda mais rápido. Isso porque estava sentado embaixo da árvore onde tudo começou, ou seja, ele não se moveu, não saiu do lugar.

Recentemente assisti a uma edição do TEDx no Rio de Janeiro cujo tema era Cotidiano Líquido. O que esse termo significa? Estamos vivendo um momento da história mundial em que os valores se inverteram. Ser bondoso, gentil, tolerante, respeitoso, humilde e educado está fora de moda. Os profissionais arriscam tudo para se destacarem e mostrarem que são melhores do que os outros: a imagem, a reputação, a ética, a moral, o amor próprio e até a própria consciência. Os bens materiais valem mais do que as virtudes e as boas ações. A honestidade e a transparência são palavras desconhecidas nos dicionários de muitos profissionais. A norma é enriquecer, ter poder, influência e ostentar. Estamos deixando coisas que se desfazem com o tempo, que não duram e não são importantes sobressaírem mais do que as que realmente possuem valor. Estamos permitindo que a nossa vida escorra entre os nossos dedos como se fosse água. O nosso cotidiano tornou-se um líquido viscoso que se esvai com facilidade entre nossos dedos.

Será que nada dura? Será que vivemos tempos “líquidos” e somos cada vez mais “líquidos”? Vemos relacionamentos durando pouco, sentimentos mudando e até famílias se separando rapidamente. Filmes com histórias de corrupção fazem sucesso, diretores que assediam moralmente funcionários são venerados e presidentes com propósitos sombrios ganham eleições.

Diversos palestrantes falaram no evento sobre motivação, autoconhecimento, pensamento positivo, filosofia, superação, coragem, sustentabilidade, empreendedorismo e até reinvenção. Todos os assuntos são extremamente importantes em todas as áreas de atuação, porém, um em especial me chamou a atenção.

O empreendedor Alexandre Crof contou algumas histórias de suas viagens por diversas fazendas do Brasil e as lições que tirou das experiências.

1 – Após trabalhar nas plantações de uma fazenda no interior do estado do Rio de Janeiro sem cobrar nada em troca, um trabalhador ensinou-o uma oração para ajudá-lo a se proteger.

2 – Durante uma carona que pegou na estrada com um desconhecido, ao chegar ao seu destino, o motorista do carro insistiu que ficasse com uma nota de R$2. O motivo é que ele sabia a importância de ter um dinheiro guardado para emergências, pois já passou muita necessidade na vida e não queria que Crof passasse pela mesma situação. O motorista pediu desculpas por entregar uma nota com um valor tão baixo, mas disse que ali o maior valor não era monetário e sim humano.

3 – Ao entregar uma boneca simples para uma menina de baixa renda como presente, a criança ficou tão encantada e feliz com a atitude – pois nunca teve um brinquedo antes – que respondeu “Deus lhe pague”.

Segundo o empreendedor, abrir mão do orgulho, da vaidade física, material e intelectual é o caminho para a felicidade. “A simplicidade é uma solução para o mundo e para as relações interpessoais. A postura do amor em nossa vida é revolucionária”, discursou.

O que é mais importante em nossa vida hoje? O que estamos priorizando e o que deixamos para trás? É hora de repensarmos o caminho que seguimos dentro e fora das corporações, pois as nossas atitudes e pensamentos mostram quem somos e determinam nosso sucesso ou fracasso profissional e pessoal.

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