*Perguntas respondidas pelo convidado especial Orestes Rodrigues Junior

  • O que é o raio e como ele se forma?

Se formam através do acúmulo de cargas positivas ou negativas, isso pode ocorrer entre nuvem-nuvem, intra-nuvem, nuvem-solo e nuvem-ar.

  • O raio só cai em lugares altos?

O raio cai onde estiver mais propenso para isso, ou seja, o caminho mais curto para a terra. Por exemplo, peguemos uma mangueira e nela fazemos diversos furos, conectamos à torneira e abrimos. Por onde sairá mais água? Claro que pelos primeiros furos.

Portanto, quando um raio cai em um cabo do poste na rua, geralmente causa um grande prejuízo em um determinado lugar e nas residências mais próximas. Os lugares mais distantes são pouco atingidos e muitas vezes nem são prejudicados. Assim acontece quando há uma queda de energia e ela retorna, pois vem com muita força.

  • É verdade que as árvores atraem raios?

Existem controvérsias sobre isso. Os estudos ainda não são conclusivos. Mesmo que as árvores não atraiam raios, nunca fique debaixo delas.

  • Se eu morar no pé da montanha eu preciso de para raios na minha casa?

O conselho é  que seja feita uma análise de riscos por um profissional habilitado e com muitas referências profissionais, como em todos os projetos de PDA. Isso não interfere, pois pode ser que a residência seja atingida. Preste muita atenção na hora da construção, pois é importante não colocar em risco a sua segurança utilizando madeiras, sapê ou outro tipo de material de fácil combustão, principalmente em regiões serranas.

  • Existem diferentes tipos de para raios ou todos são iguais?

Existem diversos para raios: o radioativo, por exemplo, foi proibido em 1989, sendo solicitada a sua retirada imediatamente, pois possui Amerício, muito prejudicial à saúde.

No exterior os chamados ESE (Early Streamer Emission) são muito comuns. Eles funcionam através de um pulso elétrico, mas pesquisas comprovam que não funcionam e colocam as pessoas em risco.

  • O que fazer para garantir que o meu para raios sempre funcione?

Manutenção e verificação periódica, faz com que o sistema esteja íntegro e sem desconexões, aterramentos precisam ser sempre vistos e testados.

Já os supressores da parte elétrica precisam ser bem dimensionados para não acontecer como este caso (leia o artigo em https://www.linkedin.com/pulse/dps-mal-dimensionado-orestes-rodrigues-junior) onde houve perdas dos bens.

  • Quando começa a cair raios, eu preciso desligar os equipamentos eletrônicos de casa?

Sem dúvida alguma, principalmente o cabo coaxial da TV e modem de Internet. Mesmo desligada na tomada, o aparelho pode queimar, pois os cabos são de cobre internamente, o melhor condutor de energia. Se a instalação estiver protegida, não precisa se preocupar.

Outro detalhe: seus aparelhos não podem ficar expostos nas paredes que ficam pra parte externa do prédio, sempre nas paredes laterais.

  • Existe uma periodicidade técnica sobre manutenção ou revisão do para raios?

Sim, existe. A inspeção visual precisa ser a cada seis meses e a renovação da documentação a cada três anos. Em regiões litorâneas, indústrias de munições, explosivos e área totalmente classificada precisa da análise semestral e de renovação anual, com levantamento bem detalhado do sistema atual. Após reformas, construções novas ou a descarga de um raio, precisa ser revisto urgentemente, independente se acabaram de renovar o laudo ou não.

  • Existe alguma norma de para raios que os síndicos dos prédios precisam conhecer?

Sim, a ABNT, através da NBR 5419:2015, dividida em quatro cadernos, possui informações importantes sobre todos os procedimentos mas o seu fornecedor deve estar atento e informá-lo de tudo.

  • Como eu sei que meu para raios está funcionando adequadamente?

Através das vistorias semestrais e renovações conforme item já mencionado anteriormente.

  • Os raios podem matar?

Sim, essa pergunta é essencial. Algumas pessoas sobrevivem, porém, com grandes sequelas ou marcas visíveis no corpo, inclusive parecendo uma tatuagem de raios e suas ramificações.

Isso pode ocorrer também pela tensão de passo ou de toque, portanto, a verificação da idoneidade da empresa, com sua vasta experiência, precisa ser analisada.

  • Os aparelhos elétricos, como chuveiros, vem com o fio terra para instalação  mas as pessoas desconhecem. Quais os riscos e como podemos mudar essa situação?

Choques, curto-circuito, queimas constantes de resistência, quedas de energia e até incêndio podem acontecer, portanto, um engenheiro eletricista e credenciado ao CREA precisa analisar, para não terem problemas futuros.

Se não tem fio terra, não adianta colocar um prego na parede e prender o fio lá. A isso chamamos de gambiarra.

  • Como regularizar um imóvel que já está aterrado e qual é o investimento?

Precisa-se analisar quais as necessidades de proteção – geralmente em residências são os DR e DPS – mas para isso, o aterramento precisa estar de acordo com a NBR 5410 da ABNT e demais normas.

  • Todos os imóveis, independentemente de prédios ou casas, devem ter para raios? Quais são os riscos para quem não tem?

Precisam, em sua maioria, por exemplo: prédios residenciais, comerciais, indústrias, igrejas, clubes, bancos e etc. Isso é planejado e preparado através da análise de riscos, onde um engenheiro eletricista especializado em PDA realiza todo o projeto conforme vistoria in loco. A visita é realizada por ele ou um profissional de olhar clínico, onde em relatório informará todo o “DNA” do local.

  • O que significam as siglas PDA, SPDA, MPS e DPS, que são tão utilizadas dentro da área?

PDA é o novo nome dado após a edição da NBR 5419, em 2015, significa Proteção contra Descargas Atmosféricas. Ela envolve a parte elétrica e estrutural, sendo assim, o conjunto de medidas para SPDA e MPS.

SPDA é Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas, usada até a norma de 2005, somente.

MPS é Medida de Proteção contra Surto. Só estava na NBR 5410, agora, abrange tudo.

DPS pertence ao caderno de MPS,  que significa Dispositivo de Proteção contra Surto, ele é instalado em quadros, tomadas, redes de distribuição, telecomunicações, entre outros.

  • Quais são os riscos de ter um para raios e não adequá-lo às normas de segurança?

Mesmo não sendo lei, a norma tem poder de lei. Caso haja acidentes, o juiz pedirá um relatório pericial, e se for constatado irregularidades o responsável responderá ao processo.

 

Gostou? Orestes Rodrigues Junior atua como assistente de engenharia e gestão documental, sendo o “olhar clínico” de engenheiros, verificando procedência e veracidade das informações. Realiza  vistorias in loco, com relatório administrativo-fotográfico, entregando informações importantes a esses profissionais. Possui artigos publicados em sites, no LinkedIn e em uma grande revista de engenharia.

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