A Feira do Empreendedor 2018, que aconteceu de 7 a 10 de abril e foi organizada pelo Sebrae, reuniu diversos estandes que ocuparam o pavilhão do Anhembi Parque em São Paulo. O espaço foi dividido em trilhas coloridas separadas por perfis: pessoa física, pessoa jurídica e MEI.

A proposta foi apresentar novas ideias de negócios, oferecer cursos e palestras gratuitas, mentorias, espaços de negócios e network e expor projetos e startups que estão em busca de apoiadores e patrocinadores.

Os estandes mais criativos, na minha opinião, foram a Oficina da Beleza, o Boteco do Sucesso, a Oficina de Moto, a Indústria da Confecção e os Negócios de Garagem Virtual.

Eu visitei a feira e inspirada nas palestras realizadas durante o evento, escrevi uma série de artigos sobre marketing, empreendedorismo, inovação, criatividade, negócios online e mercado e vendas.

Neste primeiro artigo, escrevi sobre Gestão na Era Pós-Digital, tema abordado na palestra realizada por Walter Longo, CEO do Grupo Abril.

Gestão na Era Pós-Digital

Gestão nada mais é do que dividir o seu tempo entre tendência e pendência. O bom gestor é aquele que tem uma preocupação tanto com as pendências dele quanto com as tendências do que vem por aí. O problema é que a quantidade de pendências é tão grande no dia a dia, que as tendências ficam de lado. Esse é o maior risco para os nossos negócios. O que faz as empresas desaparecerem é a falta de foco no futuro.

Foi com esse discurso que Walter Longo iniciou a palestra na Feira do Empreendedor 2018.

Segundo ele, todos nós somos gestores. Somos gestores do departamento que atuamos, da área da qual lideramos, das equipes, dos projetos, do nosso tempo e até das nossas carreiras.

“Gestão é uma forma de você administrar você mesmo, sua equipe, sua empresa ou até o país. Então todos nós somos de alguma forma gestores”, afirmou.

Nós vivemos em um momento do mundo em que os negócios apresentam cada vez mais complexidade e cada vez menos margem de contribuição ou menos resultado. A concorrência está cada vez mais acirrada e precisamos ser muito competentes para continuar tendo sucesso empresarial ou corporativo.

Por isso, Longo explicou que o problema do Brasil é que estamos mais preocupados com o fim do mês do que com o fim do mundo.

Para ele é preciso coragem para revisar paradigmas, ampliar horizontes, estressar as relações que estão estáveis, pedir demissão de um emprego e empreender. Ele afirma que nunca o momento foi tão propício para mudarmos a nossa vida.

“A Era Digital, que começou há uns 15 anos atrás, foi marcada por um choque de realidade que alterou todas as premissas das empresas. Foi uma Era caracterizada por dois sentimentos: excitação e medo”, explicou.

O CEO do Grupo Abril disse que nós estamos entrando em uma nova Era chamada de Pós-Digital. Os sentimentos de excitação e medo não existirão mais, pois todos já nos acostumamos com esse mundo – independente da classe social, do nível de renda e da condição sócio-cultural.

Na Era Pós-Digital, de acordo com ele, nós teremos que desenvolver na nossa empresa, além das estratégias digitais – independente do tamanho do empreendimento – uma alma digital. Mais do que nos comunicarmos utilizando as ferramentas digitais, teremos que desenvolver uma nova forma de gestão digital.

Longo discursou que a revolução não acontece quando a sociedade adota novas ferramentas mas quando ela adota novos comportamentos. Não se trata mais de pensar no conteúdo do Facebook, do Twitter e do site, mas em como administramos a empresa nos baseando no mundo digital.

“Precisamos rever as estruturas piramidais de autoridade e comando, empoderando a ponta e diminuindo o número de layers que temos dentro da organização. Vamos criar modelos colaborativos de gestão da informação. Vamos integrar o Big Data defensivo e ofensivo. O Blockchain já está nos processos de documentação e registro. Vamos ter que desenvolver Realidade Aumentada como ferramenta de treinamento e comercialização. Vamos ter que trocar custo fixo por variável já que a economia está cada vez mais instável. Vamos manter uma relação constante e individual com cada um dos nossos clientes. Vamos utilizar os algoritmos no cross-selling. Vamos criar novos canais de vendas. Vamos investir em pesquisas. Tudo isso é o que chamamos de Alma Digital, ou seja, gerir o seu negócio baseando-se em tudo o que o Universo Digital nos deu”, explicou.

O palestrante esclareceu que ao contrário do que o nome sugere, a Era Pós-Digital não significa o fim da Era Digital, mas sua total presença o tempo todo, fazendo parte da nossa vida.

Mostrando diversos slides no telão, o empresário falou que todos nós passamos a ter super-poderes. Nós temos poder de cálculo infinito: as máquinas fazem todos os cálculos que precisamos. Nós sabemos se tem um congestionamento daqui a 5 quilômetros de distância. Nós temos memória infalível: o computador nos lembra o tempo inteiro todos os compromissos. Podemos ter olhos biônicos: se formos a Londres e utilizarmos um aplicativo, conseguimos enxergar como eram diversos pontos turísticos como era há cem anos atrás e como será daqui a cem anos. Podemos conversar em qualquer idioma porque os programas traduzem simultaneamente. Podemos nos divertir em qualquer lugar do mundo: o tempo que era perdido se transforma agora em tempo divertido.

“Cada um de nós se tornou onisciente, onipotente e onipresente”, refletiu.

Longo apresentou a ferramenta Google Alerta, que permite que se insira palavras-chave e crie alertas para buscar o nome de pessoas em publicações no mundo todo. Basta cadastrar as pesquisas e receber os alertas diretamente no seu e-mail.

Para ele a revolução não é tecnológica, é humana. Ele enfatizou que estamos diante de dezenas de revoluções ao mesmo tempo, sendo que uma influencia a outra e se transforma em algo exponencial. “Nós temos Nuvem, Big Data, Redes Sociais, Internet das Coisas, Inteligência Artificial, Reconhecimento de Imagens e Impressoras 3D. Uma influencia a outra e cada uma se autoalimenta”, detalhou.

Ele alertou que os profissionais não precisam aprender algo, mas esquecer tudo. Longo reforça que precisamos rever os alicerces do nosso conhecimento para construir o edifício pós-digital. Se nós não revisarmos nossos paradigmas, não teremos a chance de fazer sucesso daqui para frente.

Três macrotendências da Era Pós-Digital:

1 – Efemeridade

Estamos na Era das relações fugazes. “Tudo muda o tempo todo no mundo”, como já cantava Lulu Santos na música Como uma Onda. Tudo é efêmero. Antes tínhamos que andar para continuar avançando e agora precisamos correr para nos mantermos no mesmo lugar e não ficar para trás.

2 – Mutualidade

A Realidade Artificial, a Realidade Aumentada e a Internet das Coisas já fazem parte do cotidiano. Os aparelhos estão interligados, se comunicando e enviando informações um para o outro, aprendendo e tornando o trabalho cada vez melhor e mais produtivo. As máquinas recebem dados, tomam decisões, geram informações numa relação mutual e evolutiva.

3 – Sincronicidade

O Marketing de Relacionamento passa por mudanças. As pessoas não são, elas estão. São os fatos que alteram o comportamento de consumo. Mais importante do que saber os dados – como a idade, a profissão e a região onde o cliente mora – é entender o motivo da pessoa ter se mudado para aquela casa e o que ela espera.

É possível saber o que acontece com todas as pessoas do mundo, basta coletar esses dados. Por exemplo, cada vez que uma pessoa passa por um pedágio, fica hospedada em um hotel ou compra com o cartão de crédito, esses dados são consolidados no Big Data e revelam os hábitos e desejos daquele consumidor.

“A limitação estava antes no mercado e agora ela só existe na nossa cabeça. Se existe o momento certo para empreender, é agora”, concluiu.

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