Eu fiz a seguinte pergunta dentro do meu perfil na rede profissional LinkedIn: “O que você aconselharia a um colega a não fazer dentro do ambiente corporativo?”

Quantas vezes já presenciamos situações, comportamentos, atitudes impensadas, erradas ou egoístas de chefes, gestores, colegas de trabalho e até fornecedores? Por isso pedi a ajuda de profissionais que utilizam a rede – de forma colaborativa e cooperativa – para escrever este artigo.

O meu conselho seria cumprir o prazo de entrega combinado. Nada pior para a reputação de uma empresa do que atrasar a entrega dos produtos comprados – e esquecer de avisar o cliente.

“Quando me deparo com esse tipo de questionamento tendo a pensar de uma maneira mais abrangente e sair dos muros da organização para pensar que a atuação profissional acontece em todo e qualquer ambiente. Sim, porque levamos o nosso ‘profissional’ para onde vamos, até nos ambientes mais neutros e fora da esfera corporativa – estamos sempre carregando a nossa bagagem profissional, não a colocamos no cabide no final do dia para vesti-la novamente na manhã seguinte”, escreveu a psicóloga e pesquisadora Norma Soncini.

A consultora escreveu que, para ela, uma das coisas mais importantes é o sigilo sobre as informações que recebe das pessoas com quem interaje. Ela precisa respeitar os problemas, pensamentos, confidências, dúvidas, críticas, julgamentos e conflitos dos clientes, sendo cuidadosa para tratar informações e dados de maneira que não comprometa identidades e reputações.

“Já vi muitos profissionais e colegas rompendo com o sigilo em nome de inúmeros motivos, mas isso não se justifica, é uma falta grave e imperdoável. Não importa qual seja seu trabalho, sua profissão, seu tipo de atividade. Se há necessidade de sigilo, de manter informações reservadas e preservadas respeite e faça disso seu maior princípio”, concluiu Norma.

Selecionei 26 conselhos que profissionais das mais diversas áreas de atuação recomendaram através da rede profissional:

1 – “Acho que um comportamento que deve ser evitado é perpetuar erros de liderança, ou seja, independente dos erros que seu gestor cometa, não os passe para frente”, administradora Amanda Prado.

2 – “Não ser prepotente – por mais experiência e conhecimento que você tenha, alguém sempre pode te ensinar algo novo, então não aja como se soubesse de tudo e como se nada do que te falarem é novidade. Vejo muita gente até completando frase do coleguinha pra dizer que sabe de tudo – até mesmo antes dele terminar a fala”, analista de marketing Bárbara Fernandes.

3 – “Acredito que a falta de feedback é algo que influencia bastante, seja bom ou ruim, o colaborador sempre precisa de um retorno das atividades que está realizando. Isso ajudará no desempenho corporativo e profissional desse funcionário”, estagiária de psicologia Rubiane Pimentel.

4 – “Não ser invasivo. Não se meter em um assunto ou conversa que está em andamento e a pessoa pega o bonde andando e fica dando pitaco e acaba atrapalhando e confundindo tudo”, auxiliar administrativa Andréia Sales.

5 – “Entre nossos colegas de trabalho: não trabalhar em equipe, arquitetar pelas costas para prejudicar o outro, segurar informações, não honrar prazos comprometendo a produtividade do outro. Entre os clientes externos: não cumprir o que foi acordado, não respeitar os prazos, fazer uma péssima pós-venda e ser arrogante no atendimento”, gerente comercial Soraia Caldeira.

6 – “Sugiro que as equipes melhorem o relacionamento profissional com as pessoas introspectivas. As pessoas tem uma mania insuportável de querer obrigar todo mundo a ser legal. Isso me incomoda bastante”, analista ambiental Talita Silva.

7 – “Não puxar o ‘freio de mão’ e deixar o trabalho para ser feito pelo parceiro, só porque ele é estagiário ou mais novo de empresa”, eletricista de manutenção João Carlos Montoro.

8 – “Não assumir os erros. Vivenciei superior pedindo opinião, sendo alertado dos riscos, mesmo assim fazendo. Quando dava errado ele se fazia de cego, surdo e mudo”, auxiliar administrativa Jarde Dembiski.

9 – “Cuidado com as redes sociais. Horário de trabalho é para trabalhar e não interagir com pessoas fora do meio de trabalho. Às vezes as pessoas perdem a noção do tempo e do bom senso. Falo para aqueles casos de uso em demasiado do celular, se o trabalho não for, claro, exclusivamente por este meio”, analista de compras Fernanda Reis.

10 – “Não querer ser mais importante do que realmente é. Não puxar o saco. Não fazer fofoca. Não se deixar corromper, ainda que isso implique em desagradar e dizer não a quem está hierarquicamente acima”, procuradora jurídica Giovana Baruffi.

11 – “Algumas atitudes que acredito que geram desconforto em um ambiente de trabalho são: falta de alinhamento de expectativas (prazos, escopo); pontualidade (em reuniões, calls, encontros); falta de retorno (de e-mails, ligações, solicitações); improviso; falta de rotina e orientação para feedbacks; exposição exacerbada da vida pessoal”, analista de comunicação Lyha Fernanda José.

12 – “Contar piadas a todo momento, rir exageradamente alto, externar todos os acontecimentos da vida pessoal e se dirigir a alguém com grosseria”, vendedora interna Iájina Souza.

13 – “Não demonstrar inveja; não alimentar ou inventar fofocas; não utilizar-se de ironia a cada bate-papo, evitar piadas e brincadeiras de mau gosto (seja de time, religião ou sexo); não usar-se das pessoas, não minta, não exagere, não seja arrogante, não demonstre superioridade em torno das pessoas; não ser tão pessimista”, gestora comercial Karine Guimarães.

14 – “O pior pra mim é ser inconveniente. Aquela pessoa que não quer saber se você está ocupado e já chega falando horrores ou aquela que quer ficar falando de assuntos aleatórios com frequência, enquanto os outros tentam trabalhar”, analista de mídia online Patricia Porto.

15 – “Em RH acredito que a pior prática ainda seja a inadequada condução dos processos seletivos e a famosa e histórica falta de retorno. A atual prática de insistirem em promover excepcionais técnicos em gestores sem avaliação adequada de perfil. Fazer reuniões intermináveis sem foco e resultado algum. Deixar de dar feedback ao seu subordinado“, gerente de Recursos Humanos Katia Roberta Lixandrao.

16 – “Eu diria para não ficar o tempo todo reclamando do trabalho. Se algo não lhe agrada, faça algo para mudar ou mude de trabalho”, analista de logística Natali Bona.

17 – “Demonstrar indiferença com o outro, seja ele quem for, subalterno, líder imediato, a tia do café ou o faxineiro. Associar a sensibilidade e as questões emocionais à fraqueza e ter isso como um obstáculo para tomar a melhor decisão – e, como válvula de escape, se entupir de remédios em casa pela noite. Concorrer e, quando possível, até boicotar o colega, sendo que todos deveriam estar caminhando juntos. Apontar o dedo e julgar o outro. Não valorizar a oportunidade de se autoconhecer e do outro se conhecer, não dar e pedir feedback”, gestor da informação Anderson Adami.

18 – “Não chamar atenção em público”, gestora de saúde Elizabeth Costa.

19 – “Não deixe de responder uma pessoa que lhe procura, seja por e-mails, por telefone ou pessoalmente. Se a pessoa busca por um apoio, responda mesmo que seja para lhe dizer que não pode ajudá-la”, analista de operações Michelle Reis.

20 – “Se for relacionado ao perfil e postura: não agir forma anti-ética indo contra os valores e missão da empresa. Se for relacionado ao desempenho: não dizer sim para tudo, agir de forma estratégica quanto as prioridades estabelecidas para o alcance dos objetivos”, especialista em manufatura de eletrônicos Zaia Jefferson.

21 – “Não falar sua opinião por achar que não é válida. Às vezes achamos que é uma péssima ideia, porém, pode ser a salvação de um problema”, supervisor de qualidade Marcus Vinicius Pereira.

22 – “Certa vez segui ordens de um diretor, porém, meu gerente não concordava com ele. Quando esse diretor deixou a companhia meu gerente me demitiu. Meu conselho? Sempre pergunte a opinião de seu superior antes de seguir uma ordem do superior dele”, especialista em transporte e logística João Filho.

23 – “Falta de senso de responsabilidade. Assumir erros é uma das melhores características de um funcionário porque quem assume o que fez também está em busca de melhorias”, trainee Gabriela Muniz.

24 – “Ter cuidado com as conversas paralelas dentro da empresa, popularmente conhecidas como ‘rádio peão’ ou ‘telefone sem fio’, pois não contribui em nada para o crescimento profissional”, representante de atendimento ao cliente Fernando Araujo.

25 – “Vender com honestidade, sem mentir, sabendo que cliente satisfeito sempre volta. Ser respeitoso com os colegas, usar o celular no silencioso e evitar o uso de viva-voz, não assistir vídeos de entretenimento no meio da sala em alto volume”, assistente administrativa Priscilla Moreti.

26 – “Ser profissional quando for chamado atenção por alguma falha ou discussão com divergência de opiniões. Não levar tudo para o lado pessoal. Levar esses tipos de acontecimentos como aprendizagem para o crescimento profissional”, engenheira de produção Joyce Andre.

 

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