* Artigo escrito por Raimundo Nonato Alves e Vanessa Guimarães

 

Por que uma empresa contrata um consultor? A resposta parece óbvia, mas por trás dela existe uma grande armadilha, pois muitas vezes as empresas percebem os efeitos e não as causas dos problemas.

O consultor é o profissional que deve fazer uma varredura na empresa e identificar os reais problemas e suas causas, que muitas vezes poderão ser novidades para a própria empresa.

Partindo do princípio de que as empresas são formadas por pessoas, avaliar as competências do profissional, tanto nos aspectos técnicos quanto comportamentais, é primordial antes de contratá-lo para a realização do trabalho.

Algumas empresas consideram como um bom profissional de consultoria, aquele cujo tempo de permanência nas empresas é maior. Este parâmetro transmite uma falsa ideia de competência. Em consultoria, o profissional atua em demandas específicas e, portanto sua passagem pela empresa deve ser o suficiente para promover as melhorias almejadas.

O tempo de permanência de um consultor pode afetar positivamente ou negativamente os resultados, portanto, deve ser visto com olhar crítico: pouco pode ser o suficiente e muito pode ser desastroso.

O consultor precisa ter um olhar crítico e profundo sobre as problemáticas e não se deixar contaminar por “verdades” da corporação, para não comprometer a sua capacidade de análise crítica e de ajuda. Assim, contratar um profissional com base no tempo de permanência nas empresas em que atua pode ser uma decisão pouco assertiva.

O consultor deve estar preparado para se posicionar diante das diversas situações e até para dizer não, principalmente quando faltar o comprometimento por parte da empresa e de seus dirigentes com o trabalho proposto.

No afã de conquistar clientes, muitos profissionais fazem promessas que não conseguem cumprir, contam histórias mirabolantes, mostram cases de sucesso e citam estratégias que não sabem como colocar em prática. Na hora de aplicar as técnicas, tudo muda de figura.

O consultor competente é aquele é que sabe analisar os problemas, avaliar o mercado e viabilizar soluções que se transformam em resultados.

O grande desafio das pessoas envolvidas com o trabalho de consultoria é transmitir credibilidade e assegurar resultados concretos. É uma quebra de paradigmas. É preciso estabelecer corretamente “onde estamos” e “aonde queremos chegar”, bem como os métodos que serão adotados. Cada caso é um caso.

As empresas são “seres únicos” e o principal objetivo é identificar as reais necessidades, pois contratar um consultor não é tarefa fácil. “A empresa precisa pensar a contratação de um consultor como uma ação estratégica. Indicação é um parâmetro útil, mas não suficiente. Postura, adequação na forma de abordar, vivência, resultados e falhas devem ser consideradas numa seleção. Uma boa estratégia pode ser a seguinte: dentre três a cinco opções de consultores, apresente individualmente o problema/efeito e peça para que cada um eles apresente as suas propostas para tratar a questão incluindo: metodologia, prazos, custos e resultados a serem mensurados, sobretudo, como o serão.

Avalie as propostas e identifique aquela que melhor se enquadrar com as características da sua empresa, mas cuidado para não optar por aquela que seja mais confortável. A consultoria abre caminhos para transformação e esta muitas vezes exigirá sacrifícios, determinação, mudanças, rompendo com o “satus quo” da organização.

É papel da empresa contratante, escolher com cuidado e diferenciar o profissional charlatão do competente. Encontrar a pessoa certa depende de quem contrata!

 Como identificar o consultor certo para a sua empresa? Confira as nossas dicas:

– O profissional precisa fazer mais perguntas e dar menos respostas. Não caia na armadilha de contratar um profissional pelo fato dele dizer justamente o que gostaria de ouvir. É preciso sabedoria emocional para ouvir o oposto, críticas e oportunidades de melhoria. O consultor não está lá com objetivo de agradar, mas de promover a reflexão e de abrir oportunidades para a melhoria.

– Observe o nível de conhecimento e experiência do profissional.

– Avalie se o discurso corresponde às atitudes.

– Pesquise os clientes que ele atende e há quanto tempo trabalha com eles.

– O profissional possui indicações de empresas e/ou pessoas confiáveis? A falta de indicação não é um fator determinante para a não contratação, tendo em vista que é preciso abrir portas para descobrir se os profissionais são adequados para a função.

– Dê uma oportunidade de curto prazo e observe o seu desempenho, bem como os resultados apresentados.

* Raimundo Nonato Alves é engenheiro e trabalha há mais de 15 anos no gerenciamento de unidades industriais de médio e grande porte nos setores automobilístico, de engenharia e serviços. Atualmente é diretor e sócio fundador da Quantum Satis Ltda. e consultor nas áreas de gestão empresarial, qualidade, área mineral e venda de ativos. Ele possui especialização sobre comportamento humano nos processos, gestão de conflitos e em diagnóstico empresarial.

** Vanessa Guimarães é Co-Founder e CEO do Marketing Afetivo e possui 15 anos de expertise na área de comunicação e marketing. É jornalista, pós-graduada em Liderança Integral, palestrante e professora. Atualmente ministra palestras e treinamentos sobre Gestão do Tempo, Inbound Marketing e Marketing Afetivo em diversas cidades do Brasil e atua como consultora de marketing em empresas como Correios, Cassi e FioCruz. Ela é autora dos eBooks Inbound Marketing e Gestão do Tempo para o Home Office. É professora do curso Inbound Marketing na Aberje, em São Paulo, e da disciplina de Gestão do Tempo no curso de pós-graduação da Unigranrio.

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